O descompasso entre a família e a escola
Texto de um dos integrantes do GRADCIA:
Há muito se sabe que a escola, depois da família, é a instituição social que mais influencia o desenvolvimento da criança.
Ambas, família e escola, como contextos de desenvolvimento partilham a mesma meta, que é educar, e assumem a função de cuidar e proteger crianças e jovens.
No entanto, as diferenças entre essas duas instituições são muitas, como por exemplo, à maneira como dividem o tempo (que é muito mais visível e estruturada na escola) e a relação que estabelecem entre adulto e criança: na escola tem forte caráter institucional, marcada pela burocracia e papéis muito bem demarcados pelo professor e aluno.
De modo geral a aprendizagem formal que acontece no estabelecimento escolar é mais verbal, fragmentada e descontextualizada, ao passo que em casa a aprendizagem é global e mais carregada de fatores emocionais e de maior significado prático imediato.
Os professores passam por treinamentos e cursos para se habilitar; já os pais aprendem a exercer sua função de forma muito menos sistemática, ou seja, praticando, conforme afirmou o professor Bellini Meurer da Univille.
Portanto, é preciso considerar uma característica importante da escola que é a sua capilaridade: “A escola pública, pela sua presença em todas as comunidades deste Brasil, é o lócus privilegiado de referência a famílias e comunidades quando projetam o desenvolvimento de seus filhos”.
Encontrei na internet uma pesquisa interessante realizada pela Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, onde a população de baixa renda valoriza muito a escola, sobretudo para conseguir melhores empregos, melhores condições de vida e a prova dessa valorização é que a maioria dos entrevistados acompanhava a vida escolar dos filhos. Se por um lado, a escola ideal, para os pais, deveria ter bons professores, ser segura, limpa, disciplinada e com boa merenda, por outro lado, as principais deficiências apontadas foram os baixos salários dos professores, seu mau desempenho em sala de aula e sua participação em greves.
Já os professores entrevistados neste estudo “parecem ter uma atitude passiva ou omissa diante dos problemas que a escola enfrenta e como o resto da população espera muito do governo ou de técnicos especializados para a resolução dos seus problemas”.
Frente a essas duas atitudes, resultadas da pesquisa, “a leitura que faço é que a escola e a comunidade caminham por linhas paralelas”, o que certamente não favorece o cumprimento da missão principal da escola, que é promover a aprendizagem de todos os alunos.
Neste diapasão, devemos considerar que a escola é um espaço de socialização do conhecimento científico e o seu currículo deve atender as necessidades do seu tempo onde a temática: drogas, sexo e cidadania devem ser contempladas, pois, com certeza, a concepção de sociedade, de homem e de aprendizagem que a escola adota, definirá o cidadão que esta formará.
Urge, portanto, uma mudança de postura, adaptada aos novos tempos, para que a escola não fique defasada face às necessidades de aprendizagem dos alunos e que ao contrário das acusações dos dois lados, asseguremos a participação conjunta na busca de uma solução que contemple o desenvolvimento educacional dos alunos e a valorização dos professores.
Joelson dos Passos
Presidente do CMDCA e Pedagogo
Ambas, família e escola, como contextos de desenvolvimento partilham a mesma meta, que é educar, e assumem a função de cuidar e proteger crianças e jovens.
No entanto, as diferenças entre essas duas instituições são muitas, como por exemplo, à maneira como dividem o tempo (que é muito mais visível e estruturada na escola) e a relação que estabelecem entre adulto e criança: na escola tem forte caráter institucional, marcada pela burocracia e papéis muito bem demarcados pelo professor e aluno.
De modo geral a aprendizagem formal que acontece no estabelecimento escolar é mais verbal, fragmentada e descontextualizada, ao passo que em casa a aprendizagem é global e mais carregada de fatores emocionais e de maior significado prático imediato.
Os professores passam por treinamentos e cursos para se habilitar; já os pais aprendem a exercer sua função de forma muito menos sistemática, ou seja, praticando, conforme afirmou o professor Bellini Meurer da Univille.
Portanto, é preciso considerar uma característica importante da escola que é a sua capilaridade: “A escola pública, pela sua presença em todas as comunidades deste Brasil, é o lócus privilegiado de referência a famílias e comunidades quando projetam o desenvolvimento de seus filhos”.
Encontrei na internet uma pesquisa interessante realizada pela Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, onde a população de baixa renda valoriza muito a escola, sobretudo para conseguir melhores empregos, melhores condições de vida e a prova dessa valorização é que a maioria dos entrevistados acompanhava a vida escolar dos filhos. Se por um lado, a escola ideal, para os pais, deveria ter bons professores, ser segura, limpa, disciplinada e com boa merenda, por outro lado, as principais deficiências apontadas foram os baixos salários dos professores, seu mau desempenho em sala de aula e sua participação em greves.
Já os professores entrevistados neste estudo “parecem ter uma atitude passiva ou omissa diante dos problemas que a escola enfrenta e como o resto da população espera muito do governo ou de técnicos especializados para a resolução dos seus problemas”.
Frente a essas duas atitudes, resultadas da pesquisa, “a leitura que faço é que a escola e a comunidade caminham por linhas paralelas”, o que certamente não favorece o cumprimento da missão principal da escola, que é promover a aprendizagem de todos os alunos.
Neste diapasão, devemos considerar que a escola é um espaço de socialização do conhecimento científico e o seu currículo deve atender as necessidades do seu tempo onde a temática: drogas, sexo e cidadania devem ser contempladas, pois, com certeza, a concepção de sociedade, de homem e de aprendizagem que a escola adota, definirá o cidadão que esta formará.
Urge, portanto, uma mudança de postura, adaptada aos novos tempos, para que a escola não fique defasada face às necessidades de aprendizagem dos alunos e que ao contrário das acusações dos dois lados, asseguremos a participação conjunta na busca de uma solução que contemple o desenvolvimento educacional dos alunos e a valorização dos professores.
Joelson dos Passos
Presidente do CMDCA e Pedagogo
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